Monday, January 15, 2007

Num Fim de Tarde Comum

Sentei no meio-fio com a garrafa de vinho vagabundo e comecei a beber. Meu cabelo na cara e os braços aranhados, remexi os cabelos e cutuquei a ferida.
Era o ocaso bonito...
A velha saiu na porta da casa em frente e me lançou um grave olhar de desprezo. Da mochila remendada tirei o cotoco de lápiz e catei um pedaço de papel amassado no canto da parede. Tomei um grande gole de vinho e comecei a escrever:

Lá se vão as prostitutas
e com elas toda desgraça
e os “homens”/clientes
se vangloriando da foda da noite passada
foda paga...

e sobre essa mesma foda,
tão cara,
dirão:
- Aquela vagabunda fode como ninguém!
Pelo preço... penso eu,
como são nojentos,
todos prostitutos e tutas!

...
...parei...

A velha havia chamado o sobrinho, ou neto, não sei; ele ficou me olhando com aquela cara de cu podre, playboy é uma merda...
Ele me olhava como se eu não oferecesse risco, tomei mais uma golada de vinho e olhei-o nos olhos, dei mais um gole e me concentrei nos redemoinhos de poeira e lixo que se formavam na rua.
Quando a velha entrou com o bibelô, levantei, dei a golada mortal no vinho e arremessei a garrafa que passou por entre as grades e se espatifou na porta espalhando cacos de vidro, saí andando, o vinho realmente era uma porcaria...


Alisson Lima Em: 21/03/2003

1 Comments:

Blogger Mhark0 Oliveira said...

bixo que onda é essa? VC é muito phodah vei!!!

4:08 PM  

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